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Transformando líderes em raciocinadores
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Edição 01 · 5 de setembro de 2026
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Um gerente recebe por e-mail uma proposta de melhoria bem escrita, vinda do funcionário mais discreto da equipe. A reação costuma ser desconfiar da origem antes de avaliar o conteúdo. Ele ouviu isso em algum corredor? Usou o ChatGPT? A edição de hoje trata desse reflexo, que tem nome, é mais antigo que a inteligência artificial e decide quem é promovido na sua empresa.
Boa leitura.
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Uma boa ideia só é boa dependendo de quem diz?
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Quando uma boa ideia chega de quem não se esperava, o incômodo tem nome: viés da autoridade. Escutamos melhor o médico falando de saúde e o mecânico falando de carro, o que é razoável, porque ali a autoridade vem do domínio. O problema começa quando o critério escorrega do domínio para a hierarquia. Vinda de um diretor, a ideia parece estratégica; vinda de um estagiário, soa como palpite.
Com a inteligência artificial na sala, o reflexo ganhou uma segunda pergunta, e ela atrapalha o julgamento do mesmo jeito. A pergunta que interessa a quem recebe a proposta é outra: ele consegue desenvolver isso? Formular boas perguntas, interpretar respostas e adaptar a ideia ao contexto é trabalho, e quem entrega algo útil com a ferramenta do seu tempo está fazendo o que a época pede.
Leia a íntegra no site
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“Precisamos de um novo pacto. Um pacto que valorize menos quem teve a ideia primeiro, e mais quem consegue transformá-la em algo concreto, útil e compartilhado.”
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TEORIA DOS JOGOS
Ameaças críveis e navios queimados
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Um comandante medieval quer tomar um castelo numa ilha. Ameaçar lutar até o fim não convence ninguém, porque o inimigo sabe que ele se importa com os próprios soldados e vai recuar. James Miller, em Game Theory at Work, mostra a saída: queimar os próprios navios. Sem retirada possível, a ameaça passa a valer, e a rendição vem sem derramamento de sangue. Hernán Cortés fez isso literalmente no México do século XVI, e à vista dos astecas, que era o ponto.
O mecanismo funciona longe da guerra. Reduzir a própria liberdade de ação é o que torna crível uma ameaça ou uma promessa, e é por isso que, no exercício do antílope roubado, o ladrão prefere que exista no caminhão um alarme que ele mesmo não sabe desligar.
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ÉTICA E MERCADO
Porque preços sobem nas tragédias
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Depois do furacão Charley, na Flórida de 2004, o saco de gelo passou de dois para dez dólares, geradores pequenos foram de 250 para 2.000, e um quarto de motel de 40 dólares por noite foi oferecido a 160 a uma senhora de 77 anos que fugia com o marido idoso e a filha com deficiência. O gabinete do procurador-geral recebeu mais de duzentas reclamações, e um hotel em West Palm Beach pagou 70 mil dólares em multas e restituições.
Michael Sandel abre Justiça com esse caso porque ele coloca duas réguas em choque: o preço que a oferta e a demanda produzem, e o preço que se considera justo. Thomas Sowell responde que preço alto raciona o consumo e atrai fornecedor de fora, o que é verdade e não encerra a conversa. Sandel sustenta que uma sociedade também cultiva virtudes cívicas, e não apenas bem-estar material.
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A REFERÊNCIA DA SEMANA
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Racionalidade, de Steven Pinker
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Racionalidade: o que é, por que parece estar em falta, por que é importante. Intrínseca, 2022, 464 páginas.
Pinker recusa o lugar-comum de que o ser humano é irracional por natureza. A espécie que decifrou leis da natureza e produziu vacinas contra a covid em menos de um ano é a mesma que consome teoria da conspiração, e a explicação que ele persegue está em outro lugar: as ferramentas de raciocínio, lógica, probabilidade, correlação e causalidade, existem há séculos e continuam fora da formação da maioria de nós.
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Dois livros sobre como decidir melhor
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Reasoning Skills
Raciocínio estruturado para decisões de impacto. Vieses, premissas ocultas, heurísticas que funcionam e como criar uma cultura de bom raciocínio.
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Estratégias de Decisão
Decida melhor com insights da Teoria dos Jogos, para quando o resultado depende também da escolha do outro lado.
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Ver os dois, capítulo por capítulo
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